A Casa do Cooperativismo do Sistema Ocergs na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS), recebeu mais de 50 mulheres nesta terça-feira (11) para um bate-papo sobre inclusão feminina e a importância da diversidade nas cooperativas. A atividade marcou o aniversário de um ano do Comitê Elas pelo Coop RS, lançado na última edição da feira. O comitê tem por objetivo incentivar o protagonismo feminino no cooperativismo a partir da capacitação das mulheres.
“Hoje tivemos a oportunidade de projetar 2025 e revisitar esse primeiro ano de trabalho, que busca intensificar, por meio da formação, a presença de mulheres em cargos de gestão nas cooperativas. Foram dez reuniões e 60 horas de capacitação, com base em três pilares: liderança, desenvolvimento pessoal e cooperativismo”, detalhou a supervisora do Sistema Ocergs Rafaeli Minuzzi, responsável pela criação do Comitê Elas pelo Coop RS.
O evento contou com a participação da jornalista Tábata Poline, especializada em direitos humanos, responsabilidade social e cidadania global. A história de vida compartilhada pela palestrante, permeada por desafios, ressoou entre as mulheres na plateia. “Ouvindo a Tábata falar hoje, eu me identifiquei. Sou branca, mas sou do interior, fui para o primário falando somente alemão, não conseguia me expressar”, lembrou a coordenadora do comitê e representante da Cotrijal, Agueda Maria Kunz.
Natural de Tapera (Noroeste do RS), filha de agricultor e associada desde muito nova a uma cooperativa, Agueda experimentou o cooperativismo na prática ao longo dos anos.
Agora, com os filhos crescidos, tem aprofundado seus conhecimentos junto a outras mulheres. “Para mim, estava sendo necessário aprender mais sobre a parte teórica do cooperativismo para poder contribuir com eles. Sempre trabalhei em cima da sucessão. Então, percebi que era a minha vez”, destacou. “As mulheres precisam se unir e trabalhar, principalmente, a autoconfiança.”
Enquanto a força de trabalho nas cooperativas gaúchas é 51% feminina, apenas 17% dos cargos de liderança e 8% dos cargos de presidência são ocupados por mulheres.
Diante desse cenário desafiador, o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann, comprometeu-se em levar a pauta adiante junto à diretoria do Sistema Ocergs e aos presidentes das cooperativas.
“Precisamos de ações complementares para inclusão das mulheres em postos de gestão, inclusive a partir da alteração dos estatutos das cooperativas.
Estamos no Ano Internacional das Cooperativas, um reconhecimento da ONU que reforça a relevância do cooperativismo para a construção de um futuro mais sustentável e inclusivo. E a equidade de gênero faz parte disso”, lembrou o presidente.
Multiplicação nas cooperativas
O Comitê Elas pelo Coop RS, que replica a iniciativa nacional do Sistema OCB, conta com o envolvimento de 44 cooperativas, de 31 municípios do estado. Dessas, 29 já manifestaram interesse em implementar um comitê interno próprio, a partir do exemplo do Sistema Ocergs.
“O comitê vai continuar servindo para que as mulheres saibam por onde começar, qual argumento utilizar junto à respectiva cooperativa para criar um comitê próprio e como trazer essa pauta à tona. Muitas vezes, as cooperativas sequer falam sobre o assunto. Esse reforço de repertório é o principal avanço até aqui”, completa Rafaeli. Para 2025, nove encontros já estão programados.

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